Poemas de Luiz Guerra


[Lugar vigilante...]


Lugar vigilante
em seu apanhar de homem-emboscada
quando este quer o inimigo.
Onde tudo é olho,
farol polifêmico,
pastores de ovelhas e nuvens,
ulisses crimes —
para o recomeço de outros fins de história,
sob a luminosa máscara do que não esconde.
A folha do abscôndito vai de sopro
outros querem o apito.

[18.11.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 21h45
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[CANÇÃO CIGANA]


Sevilha-me em teus pêlos,
Carmen,
à sombra dos becos.


Escrito por Luiz Guerra às 19h42
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[Sei quando é o poema...]


Sei quando é o poema
pelo rumor verde-água de poesia.
Sei quando é em mim.
Sei quando é a hora.
Sei quando é voz e hora
no verde-água poema do rumor
em margem e desalcance,
quase-instante
no amotinado intervalo do pêndulo.
Sei quando não é luz nem opacidade.
Sei quando é verde-água de umbigo,
quando é coração,
quando é cabeça,
quando é fome.

[11.11.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 11h36
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[Floração dos lábios...]


Floração dos lábios,
onde é rainha minha fome
de beijo e regaço.

[1.11.2007]

 



Escrito por Luiz Guerra às 22h28
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[Abro a janela num impulso...]


Abro a janela num impulso —
lá estão elas, bêbadas de céu,
varrendo as larvas do mundo.

[31.10.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 23h24
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[Assim lhe morriam os amantes...]

Assim lhe morriam os amantes
em sua alcova de sonho e feitiço
na rua dos bondes aflitos —
punhal,
a marca de um beijo
e uma rosa-de-moça
sobre o peito enfim pacificado.

[30.10.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 16h49
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[Boulevard dos Tamarindos...]


Boulevard dos Tamarindos
onde o espelho,
a terra-de-ninguém atrás do rosto —
da última esquina
o ostensivo ludibria os namorados
como dama de espadas ciumenta
à beira do que hoje não passa de incúria.
Ou quando sono,
farinha de gafanhoto,
na noite febril dos becos.
Não é mais chão, é palco;
não corrói menos
o apostar no verso irrelevante
a alma-rescaldo,
o coração ferido,
o estômago lasso,
o olho que passeia entre fotogramas
sem reconhecer o mais nítido vulto.
Outro que viesse
(restolho ou memória de exergo),
não tem mais pernas
nem alvoroço de mulher bonita à janela
o carteiro palimpsesto.

[27.10.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 21h03
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[Não há que subir...]


Não há que subir
pelas paredes do vácuo.
No miolo a palavra
repõe todos os cuidados
sob a geometria sonhada
em mundos e tempos conflitantes.
O gesto se impõe poliedro
e abriga o procurado.

26.10.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 21h32
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[O rio que passa no meu bairro...]


O rio que passa no meu bairro
passa valão de outras águas
quando ali passa;
nem tem nome de rio esse rio,
só passa.
Mas é rio muito sábio,
quando ali passa,
desta sabedoria simples e passadiça:
sem ocultar-se nem ser reconhecido.

[25.10.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 15h35
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[Em minhas civilizações, à noite...]


Em minhas civilizações, à noite,
cuido do mesmo alqueire de sombra
inconsciente dos tempos que o decompõem.
Nenhum relógio conhece tais fantasmas.
Meu próprio sono,
em meio à confusão dos sonhos,
não cresce nem descontinua —
é civilização também deste lado
com sua roda infame.
A linha do poema vai de espanto,
outros querem os nomes.

[24.10.2007]


Escrito por Luiz Guerra às 09h25
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